Vitória Marca Conquista, Apesar de Erros

Depois de um pouco de sofrimento, o torcedor rubro-negro saiu aliviado com a vitória. Nosso colaborador Tiago Cordeiro, que antes da partida começar fez suas apostas na torcida do Flamengo, que retribuiu. O espetáculo lá dentro foi, realmente, lindo. É uma torcida especial.

Com a Palavra, Tiago Cordeiro* 

Pela primeira vez no ano o Flamengo jogou uma partida decisiva de forma incontestável. Até então, em todas as vezes que o clube enfrentou jogos importantes decepcionou ou apenas se equiparou ao adversário.  Porém, contra o Nacional (URU) na noite de quarta-feira o clube, com exceção de um pequeno apagão no primeiro tempo, jogou muito bem e impôs sua superioridade técnica.

Se o placar de 2 X 0 não devolve a goleada que o Nacional fez no Uruguai, é uma grande  resposta. Ao contrário do Nacional, o Flamengo venceu na base dos 11 contra 11. O terceiro gol foi perdido por um Obina visivelmente acima do peso, apesar de estarmos quase no meio da temporada.  Será que acarajés engordam tanto?

Além dos três pontos, as principais vantagens do jogo foram a recuperação de Renato Augusto – errando apenas um passe– e a personalidade do lateral-direito reserva Luisinho – com a responsabilidade de substituir o craque Leonardo Moura e se saindo muito bem.  A atuação dos dois jogadores cria uma disputa saudável e impede a acomodação dos jogadores que são ou já foram titulares.

O Flamengo colocou Renato Augusto e Marcinho se revezando no ataque, mas com o último mais à frente. Marcinho foi o jogador taticamente mais importante. Marcou, puxou contra ataques e demonstrou presença de área marcando dois gols. Certamente, deve barrar o descontrolado Toró, tecnicamente menos eficiente e em péssima fase.

Na defesa, o Flamengo foi sólido com o gigante Fábio Luciano jogando uma partida digna de seleção brasileira. Cristian jogou na posição que era de Jaílton e parece ter assumido o lugar. Com bom posicionamento e um passe muito melhor do que Gavilán e Jaílton, o cabeça de área resguardou a zaga quase com perfeição. Ronaldo Angelim jogou com a seriedade de sempre e Juan esteve muito bem no primeiro tempo e participou diretamente do gol no segundo, quando esteve mais apagado.

Kleberson e Ibson apareceram menos do que em outras oportunidades. Talvez pelos avanços de Marcinho, Renato Augusto e dos dois laterais. Souza foi novamente um jogador sacrificado pelo esquema. Atuando mais colado com os zagueiros o atacante não consegue jogar onde rende mais: como um pivô tabelando com atacantes que venham de trás. Mesmo assim, essa foi sua melhor partida nos últimos jogos.

Mesmo atuando tão bem ainda existem problemas que a comissão técnica precisa corrigir. A impressionante falta de jogadas ensaiadas, um bom cobrador de falta e o posicionamento do meio de campo. Com vários volantes, o Flamengo raramente aparece em bolas rebatidas na pequena área. Ibson ou Kleberson precisam surgir nesses momentos para os chutes de fora da área.

Mesmo sem estar perfeito, a atuação mostrou um Flamengo muito mais maduro, como o torcedor espera. Se resolver esses detalhes – que farão falta em jogos mais decisivos – e acertar o posicionamento do ataque – sem deixar Souza tão isolado – o Flamengo irá longe na Libertadores. Para quem duvida, o time “quase eliminado”, segundo os mais céticos, já é líder do seu grupo novamente.  A nação comemora, mas ainda quer mais.
(*) Tiago Cordeiro é jornalista e blogueiro. Atualmente, é coordenador de comunicação do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA) da PUC-Rio e escreve nos blogs Melhoresdomundo.net, Rubens Diz e Quinzeminutos.net.

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