Com a Palavra, o Torcedor: Quanto Tempo Dura o Luto?
Cristina Dissat
Uma semana? Três dias? Qual é o espaço entre a euforia e o desânimo? É uma resposta difícil de dar, porque, em geral, quem tem voz para desabafar nas entrevistas é o jogador, o técnico, o time. O torcedor que grita, esperneia, empurra o time nem sempre consegue seu objetivo. Mas no dia seguinte… aliás nem precisa esperar, porque ao sair do estádio, qualquer que seja o time em questão, as provocações já começam. Não há controle emocional que resista, mas sem isso o futebol não teria tanta graça.
Domingo Anormal
Mas, recentemente, o silêncio do torcedor foi ouvido nos arredores do Maracanã. Ontem, domingo, dia 11 de maio, e a bola rolava entre Flamengo e Santos pelo Brasileirão 2008. Holofotes refletindo nos prédios em volta e as arquibancadas completamente vazias, ruas ao redor do estádio desertas e bares sem viva alma. Lá dentro, estavam presentes somente os dois times, imprensa e oito dirigentes de cada clube, como informou Alexandre Moraes, do Gease-Fla (Grupo Especial Alegria e Segurança nos Estádios).
Por determinação da justiça, a primeira partida do time rubro-negro foi com portões fechados, conseqüência de agressões de um torcedor em 2007. Era um cenário muito estranho. Para completar o quadro esquisito, o silêncio no bairro era enorme.
Para quem não sabe, é grande o número de torcedores rubro-negros que moram no Maracanã (bairro). As diversas bandeiras do Flamengo que, ultimamente, viraram decoração de janelas e varandas, não foram retiradas, mas não se ouviu comemoração em nenhum dos gols do Flamengo – que ganhou o Santos por 3 a 1. Talvez o motivo seja simples: luto. Com essa reação, dá para imaginar que a punição, imposta ao Flamengo, de jogar sem a sua torcida empurrando, ao invés de ser um desastre caiu como uma luva.
Alguns blogs chegaram a comentar que torcedores ficariam do lado de fora, mas isso não aconteceu. Eram cinco e meia da tarde e não havia ninguém. Quer dizer, no acesso das arquibancadas pela Estátua do Bellini, uma viatura da polícia, nós do Fim de Jogo e encontramos mais duas equipes de reportagem – uma do jornal O Dia e outro do Lance!.
Privilégio de Todos
Acompanhar a entrada e saída de milhares de pessoas apaixonadas no Maracanã é sempre uma expectativa. A euforia da entrada pode se transformar em alegria ou em pesadelo após o fim da partida.
Vida de torcedor é assim e, de forma nenhuma, uma exclusividade dos rubro-negros.
Em cerca de três semanas Flamengo, Fluminense e Botafogo foram ao céu e ao inferno. Classificação e desclassificação, uma atrás da outra. Sensações alteradas em poucos dias. A lembrança maior é quem perdeu o Campeonato Carioca, quem foi desclassificado para a semi-final da Taça Rio e quem está fora da Libertadores 2008.
Vida de torcedor é assim, mas é hora de esquecer os momentos difíceis e lembrar que o Flamengo é o campeão do Estadual 2008, o Botafogo foi o campeão da Taça Rio 2008 e o Fluminense classificado para a Libertadores 2008.
Vida de torcedor é assim. Hora de dar a volta por cima e começar tudo de novo.
segunda-feira 12 mai 2008 10:59 pm | Cristina Dissat | Brasileirão 2008, Campeonato Brasileiro 2008, Flamengo, Fluminense, Notícias


É querida amiga, eu acho que a graça deste esporte bretão é a imprevisibilidade. Para pessoas que não se envolvem, existem apenas 3 resultados possíveis: derrota, empate e vitória, mas para um bom torcedor as variáveis são maiores. Existem casos onde um mero empate tem um sabor enorme de vitória, imagina seu time ter um jogador expulso no primeiro tempo, seu goleiro salva gols incríveis e a valentia se faz presente em todos os guerreiros que ficaram em campo. Não levar gol, neste caso, é quase mais importante que fazer. E em alguns casos um empate pode ser uma tragédia, seu time faz um gol e no último o time adversário empata, é um um desânimo sem fim. E as vitórias, ahh as vitórias, elas sempre têm o seu valor, ganhar e sempre bom, quem não gosta de vencer? Mas vitórias em jogos de futebol podem ser simples, goleadas, viradas, etc… Então ir do céu ao inferno em uma simples semana é da natureza do ofício. Por isso Futebol é o esporte mais amado do nosso país. Viva o futebol!!!!
Beijos, Carlos
Oi Carlos, é essa a exata sensação, por isso, apesar de ter parcialmente fugido ao tema central do blog, pensei em escrever esse post há alguns dias. Os dois últimos meses trabalhamos muito acompanhando exatamente todas essas sensações e o interessante é vivenciar as emoções de torcedores de vários times. Vlw pelo comentário e vc entendeu cada detalhe do texto. Bjos, Cris
concordo com tudo que foi escrito, eu mesmo quando saí do maracanã depois daquela tragédia prometi que maracanã em 2008 tinha acabado, leod engano, domingo já estava lá no buxixo torcendo e vibrando a cada gol do mengã e contando as horas para que chegue logo dia 24 para matar as saudades do meu clube de coração, digo clube pq o que importa p mim é a camisa, não idolatro jogador, pq esses não merecem, me fizeram sentir uma dor no dia 7 de maio que jamais vai esquecer, como disse minha namorada parecia que tinha perdido um ente querido, e a sensação era mesmo essa, por culpa de dirigentes amadores e jogadores sem compromisso com essa camisa que é minha primeira pele o meu sonho foi destruído de ver meu time conquistando a libertadores e sendo reconhecido e respeitado de novo no cenário internacional, mas vida que segue, onde o manto sagrado estiver eu estarei para o resto da minha vida.
Oi André, pelo menos essa vantagem nós torcedores temos. Eles, os jogadores, passam, mudam de time e de objetivos (com raras exceções como Zico e Júnior, por exemplo), mas nós não. Foi uma segunda-feira difícil, como poucas vezes observei, entre os torcedores. Um amigo disse pra mim que tinha sido o dia mais triste da vida de torcedor. Mas é como vc escrever, é bola pra frente, é hora de acabar o luto e voltar a luta por nós e não por eles. Abs.