O Torcedor
Archived Posts from this Category
Archived Posts from this Category
Hoje é dia de jogão no Maracanã. Uma semi-final que vai movimentar muito os arredores. Os ingressos estão esgotados e nossa cobertura começa no início da noite e enquanto isso… conheça um pouco sobre a história de um dos maiores responsáveis pela criação do Palco do Futebol que irá receber, hoje, cerca de 80 mil torcedores.
Daqui há alguns minutos saio da redação para a primeira etapa desse trabalho, conseguir chegar em casa.
Com a Palavra, o Torcedor
Quando falo sobre questões históricas, a primeira pessoa que me vem a cabeça é meu super amigo Marco Santos (que também é membro da comunidade Amigos do Fim de Jogo). Jornalista premiado por pesquisa na peça A Era do Rádio e autor do livro Popularíssimo, ele conta no artigo sobre a história de Mário Filho.
Mário Filho: “O Criador de Multidões”
por Marco Santos *
No Rio de Janeiro, dia de jogo é “dia de Maracanã”. Mas, infelizmente, nem todo mundo sabe que o verdadeiro nome do Maracanã é Estádio Jornalista Mário Filho. E mesmo entre os que sabem, há generalizadamente uma pergunta que não quer calar: “Quem foi esse Mário Filho?”
Tivemos num país em que História é “coisa de museu”, coisa de “quem vive de passado”, como se costuma dizer pejorativamente. E daí, tome de repetir alguns erros, como um estudante que não aprende a lição. Quem despreza o seu passado, se perde no presente e não constrói o seu futuro, é o que eu sempre digo. O Maracanã tem o nome de Mário Filho porque se não fosse Mário Filho não haveria Maracanã.
Mário Rodrigues Filho era pernambucano de nascimento (Recife, 3/6/1908), mas tornou-se um carioca legítimo, assim como seu irmão Nelson, teatrólogo e jornalista. Mario Filho veio para o Rio com toda a família, quando tinha oito anos. Seu pai foi dono de jornal, onde os filhos começaram no ofício. Primeiro em A Manhã e depois em A Crítica. Neste último, Mário Filho já escrevia sobre esportes, especialmente sobre futebol, em estilo revolucionário para a época (fim dos anos 20 do século passado). Sua paixão futebolística o levou a fundar, em 1931, o jornal O Mundo Esportivo, considerado como o primeiro jornal exclusivamente dedicado ao esporte no mundo. Foi nesse jornal que Mário Filho criou o concurso de escolas de samba, em 1932, desfile que hoje é tido como a maior ópera aberta do planeta.
Quatro anos depois, comprou o Jornal dos Sports, do empresário Roberto Marinho. Neste veículo, ele criou os Jogos da Primavera e o Torneio Rio-São Paulo. Quando o Brasil foi escolhido pra ser a sede da Copa do Mundo de 1950, decidiu-se que seria construído um novo estádio na então capital do país. Dois vereadores udenistas - Carlos Lacerda e Ary Barroso - se posicionaram apontando o distante bairro de Jacarepaguá como o local ideal para a instalação da nova praça de esportes. Mário Filho foi contra. Segundo ele, o antigo Derby-Club era o lugar perfeito para o estádio. E, dizia ele, teria que ser o “maior do mundo”, com capacidade para mais de 150.000 pessoas. Não era uma tarefa fácil debater com dois gigantes da tribuna e das comunicações como Lacerda e Ary. Mas Mário Filho conseguiu convencer a opinião pública, apontando o fato de ali ter várias linhas de ônibus e estação de trem, o que facilitaria bastante a chegada e saída dos torcedores.
Os dois vereadores da UDN contra-argumentaram que o entorno do Derby-Club já estava ocupado e que em breve não haveria terreno disponível para o estádio crescer e no futuro a área ficaria congestionada de construções, ao contrário de Jacarepaguá, com muitas áreas livres. A municipalidade - leia-se prefeito Ângelo Mendes de Morais - bateu o martelo e as obras se iniciaram em 2 de agosto de 1948, no antigo Derby, às margens do Rio Maracanã (nome em tupi-guarani que significa “igual a um chocalho” e também nome de uma ave da família dos periquitos e papagaios).
Não havia um dia sequer que Mário Filho não fosse acompanhar a construção, fiscalizando, animando, pedindo pressa, alertando que o gigante de concreto deveria estar de pé antes do início da Copa. E em 16 de junho de 1950, Mário Filho se emocionava com a inauguração do “Maior Estádio do Mundo”.
Mário Filho era torcedor do Fluminense, como toda a sua família. Mas na década de 1950 afirmou que não torceria por clube algum para ser mais imparcial nas suas análises. Esta isenção o levou a escrever um livro contando a história do Club de Regatas do Flamengo, time de maior torcida no país. Pesquisador minucioso, escreveu um livro seminal chamado “O Negro no Futebol Brasileiro”, onde provou que os primeiros jogadores da raça negra não foram do Vasco da Gama, como se acreditava à época.
Mário Filho era um grande admirador de Pelé e sobre ele escreveu “Viagem em torno de Pelé”, livro admirável, uma verdadeira ode ao maior atleta do Século. À Mário também é atribuída a criação do termo “Fla-Flu”, clássico que era o seu preferido. Disse seu irmão, Nelson Rodrigues, que Mário Filho foi “o criador de multidões”, pela forma apaixonada com que ele se referia aos jogos entre o clube da Gávea e o das Laranjeiras.
Em 17 de setembro de 1966, o coração que amava os esportes deixou de bater, fulminado por um ataque cardíaco. Tempos depois, o radialista Waldir Amaral comandou pela Rádio Globo uma campanha para que o Estádio Municipal do Maracanã recebesse o nome de seu grande estimulador. Cada pilastra do “Templo do Futebol” pulsa reverenciando quem lhe criou a mística. E as multidões que desfilam por aquele chão de pedra também celebram, mesmo sem saber, o amor de um jornalista pelo esporte.
* Marco foi responsável pela pesquisa da peça “Na Era do Rádio”, é autor do livro Popularíssimo (história de um dos mais populares autores de teatro do Brasil - Brandão, pai do ator e comediante e Brandão Filho) - popularissimo@gmail.com - e responsável pelo blog Antigas Ternuras.
0 comments quarta-feira 04 jun 2008 | Cristina Dissat | Fluminense, Jogos no Maracanã, Libertadores 2008, Notícias, O Torcedor

Press-release:
“É dia de jogo no Maracanã!” é o tema da próxima projeção de fotografias do bar Alambique Carioca (Rua Felipe Camarão 165, Tijuca, Rio de Janeiro), que acontece no dia 26 de abril, sábado, às 21 horas.
As fotos fazem parte do acervo do blog Fim de Jogo, criado pela jornalista Cristina Dissat, que cobre, há cerca de quatro anos, o que acontece nos arredores e nas arquibancadas do Maracanã nos dias de jogo de futebol. A projeção, do fotógrafo Celso Pupo, é totalmente baseada no material publicado no blog Fim de Jogo.
São torcidas chegando em massa, quando, muitas vezes o clima esquenta; o trânsito complicado; a presença das crianças; as obras no estádio; a vibração nas arquibancadas; e tudo mais que envolve essa paixão pelo futebol. Imagens que você, com certeza, não viu em quase nenhum jornal.
4 comments sexta-feira 25 abr 2008 | Cristina Dissat | Botafogo, Flamengo, Fluminense, Notícias, O Torcedor, Vasco
Nosso grupo de amigos está crescendo espontaneamente. Esta semana recebemos dois emails de torcedores do Fluminense e do Vasco, que freqüentam o Maracanã. Eles se ofereceram para mandar notícias para o Fim de Jogo. Com isso, nosso grupo está aumentando.
Quem também nos escreveu foi o Erich Masson. Ele pediu algumas dicas sobre ingressos, quando esteve no Rio para ir ao Maracanã pela primeira vez. Ajudamos no que foi possível e ele retribuiu mandando suas impressões sobre a primeira vez que esteve no Maraca. Leiam abaixo, o depoimento dele. O jogo foi entre Flamengo x Nacional, pela Libertadores 2008.
Obrigado Erich e conte sempre conosco.
Meu Primeiro Jogo no Maraca
Olá Cristina, estou respondendo para dizer minhas impressões da primeira vez no Maracanã. Fomos em 05 pessoas, eu, minha esposa e mais 03 colegas. Desse nosso grupo, apenas eu e minha esposa não somos flamengistas. No entanto, 1 dos colegas era flamengista doente e os outros dois, vacinados, hehehe.
O trânsito para chegar ao estádio foi deprimente. Um trecho, que demoraria cerca de 20 minutos, fizemos em 1 hora. Mas o resto valeu a pena. Compramos os ingressos na bilheteria que fica em frente a Avenida (acredito que seja a bilheteria 5) e não tivemos problemas. Só faltou um aviso de onde se comprava cada tipo de ingresso, principalmente para as cadeiras brancas, que foi de onde assistimos ao jogo. Se tivesse mais informações nas placas seria muito melhor e não perderíamos tanto tempo, pois não existia fila para comprar ingresso para a cadeira branca.
O jogo foi muito legal, a torcida realmente impressiona. Não tivemos problemas com alguém jogando lata, xingando ou agindo de qualquer forma que viesse a nos deixar com medo de estar lá. Realmente valeu a pena. O público anunciado foi de 55.000 pessoas, o que deixa mais forte a impressão de respeito entre os torcedores, pelo menos em um jogo de “uma torcida só”, tendo em vista ter poucos torcedores do Nacional-URU.
No geral, realmente valeu a pena. Espero um dia assistir a um jogo no Maraca entre o meu São Paulo e algum grande time do Rio para poder visitar novamente este grandioso estádio.
Abraços,Erich Masson
0 comments terça-feira 01 abr 2008 | Cristina Dissat | O Torcedor
Depois de um pouco de sofrimento, o torcedor rubro-negro saiu aliviado com a vitória. Nosso colaborador Tiago Cordeiro, que antes da partida começar fez suas apostas na torcida do Flamengo, que retribuiu. O espetáculo lá dentro foi, realmente, lindo. É uma torcida especial.
Com a Palavra, Tiago Cordeiro*
Pela primeira vez no ano o Flamengo jogou uma partida decisiva de forma incontestável. Até então, em todas as vezes que o clube enfrentou jogos importantes decepcionou ou apenas se equiparou ao adversário. Porém, contra o Nacional (URU) na noite de quarta-feira o clube, com exceção de um pequeno apagão no primeiro tempo, jogou muito bem e impôs sua superioridade técnica.
Se o placar de 2 X 0 não devolve a goleada que o Nacional fez no Uruguai, é uma grande resposta. Ao contrário do Nacional, o Flamengo venceu na base dos 11 contra 11. O terceiro gol foi perdido por um Obina visivelmente acima do peso, apesar de estarmos quase no meio da temporada. Será que acarajés engordam tanto?
Além dos três pontos, as principais vantagens do jogo foram a recuperação de Renato Augusto – errando apenas um passe– e a personalidade do lateral-direito reserva Luisinho – com a responsabilidade de substituir o craque Leonardo Moura e se saindo muito bem. A atuação dos dois jogadores cria uma disputa saudável e impede a acomodação dos jogadores que são ou já foram titulares.
O Flamengo colocou Renato Augusto e Marcinho se revezando no ataque, mas com o último mais à frente. Marcinho foi o jogador taticamente mais importante. Marcou, puxou contra ataques e demonstrou presença de área marcando dois gols. Certamente, deve barrar o descontrolado Toró, tecnicamente menos eficiente e em péssima fase.
Na defesa, o Flamengo foi sólido com o gigante Fábio Luciano jogando uma partida digna de seleção brasileira. Cristian jogou na posição que era de Jaílton e parece ter assumido o lugar. Com bom posicionamento e um passe muito melhor do que Gavilán e Jaílton, o cabeça de área resguardou a zaga quase com perfeição. Ronaldo Angelim jogou com a seriedade de sempre e Juan esteve muito bem no primeiro tempo e participou diretamente do gol no segundo, quando esteve mais apagado.
Kleberson e Ibson apareceram menos do que em outras oportunidades. Talvez pelos avanços de Marcinho, Renato Augusto e dos dois laterais. Souza foi novamente um jogador sacrificado pelo esquema. Atuando mais colado com os zagueiros o atacante não consegue jogar onde rende mais: como um pivô tabelando com atacantes que venham de trás. Mesmo assim, essa foi sua melhor partida nos últimos jogos.
Mesmo atuando tão bem ainda existem problemas que a comissão técnica precisa corrigir. A impressionante falta de jogadas ensaiadas, um bom cobrador de falta e o posicionamento do meio de campo. Com vários volantes, o Flamengo raramente aparece em bolas rebatidas na pequena área. Ibson ou Kleberson precisam surgir nesses momentos para os chutes de fora da área.
Mesmo sem estar perfeito, a atuação mostrou um Flamengo muito mais maduro, como o torcedor espera. Se resolver esses detalhes – que farão falta em jogos mais decisivos – e acertar o posicionamento do ataque – sem deixar Souza tão isolado – o Flamengo irá longe na Libertadores. Para quem duvida, o time “quase eliminado”, segundo os mais céticos, já é líder do seu grupo novamente. A nação comemora, mas ainda quer mais.
(*) Tiago Cordeiro é jornalista e blogueiro. Atualmente, é coordenador de comunicação do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA) da PUC-Rio e escreve nos blogs Melhoresdomundo.net, Rubens Diz e Quinzeminutos.net.
0 comments quinta-feira 20 mar 2008 | Cristina Dissat | Flamengo, Jogos no Maracanã, Libertadores 2008, Notícias, O Torcedor
Acabamos de receber a colaboração do jornalista Tiago Cordeiro*, torcedor do Flamengo e um dos amigos do Fim de Jogo. Com a palavra, Tiago.
Raça, Amor e Paixão para Conseguir a Vaga
Se as últimas circunstâncias provaram que o Flamengo é um time dependente de jogar em casa é óbvio que o jogo de hoje só tem um resultado possível: a vitória. Uma derrota significa depender de outros resultados e de uma vitória na altitude de Cuzco contra um time que já fez jogo duro aqui no Rio de Janeiro.
Muitos erros marcam a campanha do Flamengo na Libertadores. O jogo no Uruguai foi uma tragédia imprevisível, um acidente de percurso. Contudo, o empate contra o Coronel Bolognesi foi um luxo que a comissão técnica não poderia permitir. Tivesse ganho aquele jogo, o Flamengo estaria em uma situação muito mais confortável. Além disso, diretoria e comissão técnica erraram ao não contratarem um meia armador que pudesse substituir o jovem Renato Augusto.
Apesar dos erros, a torcida rubro-negra sabe a hora de cobrar e de agir. Os erros podem ser debatidos depois, mas agora o momento é de torcer e levar o time para sua segunda vitória na Taça Libertadores. Os céticos já consideram o Flamengo um time desequilibrado emocionalmente, desorganizado taticamente e absolutamente caseiro. Parte dessas afirmações são totalmente verdades.
Entretanto, verdade ou não, a tradição rubro-negra costuma derrubar o time todas as vezes em que existe soberba, orgulho e confiança. O prodígio do Flamengo se encontra nas adversidades, no desprezo, na humildade e na desconfiança. No ano passado, na vice-liderança na Libertadores o time foi eliminado nas oitavas de final de forma frustrante. Talvez seja na classificação inesperada, no último segundo, é que o time se fortaleça e prove que é concorrente ao título.
Pouco importa se o elenco é forte para isso ou não. A torcida acredita que sim e já está provado que ela puxa as vitórias. Do rebaixamento à classificação para o mais importante torneio continental e da derrota óbvia para a vitória incontestável. Foi assim no tricampeonato estadual (99/2000/2001) e no pentacampeonato brasileiro, em 1992. E pode ser assim novamente para o time de tradição, raça amor e paixão.
(*) Tiago Cordeiro é jornalista e blogueiro. Atualmente, é coordenador de comunicação do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (NIMA) da PUC-Rio e escreve nos blogs Melhoresdomundo.net, Rubens Diz e Quinzeminutos.net.
0 comments quarta-feira 19 mar 2008 | Cristina Dissat | Flamengo, Jogos no Maracanã, Libertadores 2008, Notícias, O Torcedor
Hoje foi a vez dos rubro-negros serem homenageados no Hall do Torcedor, dentro do Maracanã, antes da partida entre o Flamengo e Cardoso Moreira. A homenagem, in memoriam, foi para Jayme Carvalho, que faleceu em 1976, aos 65.
O torcedor chegou ao Rio em 1936, quando se tornou sócio do Flamengo. Ele também foi responsável pela introdução da música na torcida. Sua filha, Suely Carvalho, descerrou a placa, junto com o Secretário de Turismo, Esporte e Lazer, Eduardo Paes. Também presente a neta Renath Carvalho, o bisneto Douglas e Marcelo, da Raça Rubro Negra.
Na ocasião, foi lançado o livro “Acima de Tudo Rubro-Negro“, de autoria do jornalista, Wilson Aquino, e fundador da Torcida Organizada Raça Rubro Negra, Cláudio Cruz.
Vale um detalhe interessante no livro: no alto, à direita, está escrito: “Venda exclusiva para rubro-negros”.
As homenagens para os torcedores ilustres de Botafogo e Vasco serão realizadas, em breve, com o mesmo formato das programadas para Flamengo e Fluminense.
Outros momentos da homenagem. Suely Carvalho e Eduardo Paes (fotos Celso Pupo).
0 comments quinta-feira 24 jan 2008 | Cristina Dissat | Flamengo, O Torcedor